Adoro Champagne Barato













24/07/2008 14:20

poesia

Com a baixa umidade do ar, quando a Folha visitou os cafezais boa parte dos frutos ainda maturava nos pés, o que confere a eles um sabor tão adocicado quanto aquele que, na xícara, diferencia uma bebida especial de uma medíocre. Pinçado com os dedos, um fruto maduro é espremido até soltar uma gota sobre o medidor de brix, que calcula o teor de açúcar.
Confirma o que a língua já constatou: está doce, tem 24% de açúcar -pode chegar a 29%. Tanto numa quanto noutra fazenda, a colheita é toda manual, um dos requisitos para obter um café especial -além de usar grãos 100% arábica, ter demarcação de origem e nenhum defeito (leia mais no quadro à esquerda).
Ainda na lavoura, materializa-se a clássica cena da abanação. Lançados ao céu, os frutos caem de volta na peneira, enquanto as folhas voam e pousam no chão. Para não fermentarem, os grãos têm de seguir no mesmo dia para o terreiro.
Na Pessegueiro, a produção é depositada num tanque d'água, cuja função não é lavar, mas separar os frutos. Mais leve, o natural (ou bóia, seco no pé) flutua, enquanto o cereja (maduro) e o verde afundam.
Por declividade, sistema construído no século passado pelo bisavô do atual proprietário, o natural desliza, morro abaixo, por um canal, direto para o terreiro. Depois, escoa-se o excesso de água, e o cereja e o verde descem, por outra via, até a descascadora.
Na Sertãozinho, os frutos também são separados com a ajuda d'água, mas numa máquina que isola os bóias dos verdes e dos cerejas e se encarrega de descascar os últimos.
Nas duas fazendas, o café é seco como reza a tradição: ao sol. Na Sertãozinho, há até um marcador, similar a um ábaco, para controlar o número de rodadas. Lá, apenas os cafés commodity, não-especiais, são levados ao secador artificial.
Quando terminam de secar, os grãos são guardados nas tulhas, onde passam pelo primeiro de três "descansos". "O café usado no blend do Orfeu descansa três meses. Senão, fica adstringente", diz Ana Cecília Carvalho Gonçalves Dias, 33, diretora comercial do Orfeu. Depois de passarem pela separadora -uma enorme e bela máquina de madeira em que o café é, entre outras coisas, separado por tamanho-, os grãos descansarão novamente por uma longa temporada. No ano que vem, os melhores grãos chegarão às nossas xícaras.


*Pessegueiros e Sertãozinho são os nomes das fazendas
*veio enviada por paulelena






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